Arquivo de 22 de Outubro de 2008

Identidade Visual para o Fórum Social Mundial 2009

Um de nossos últimos projetos realizados, a marca para o Fórum Social Mundial, que ocorrerá em janeiro de 2009 em Belém: um trabalho gratificante e profundo, que nos permitiu entrar em contato com diferentes culturas do mundo inteiro. O desafio era transmitir os conceitos que orientam as edições do Fórum, que tem como slogan “um outro mundo é possível”. A partir do briefing os conceitos elencados foram: unidade na diversidade, futuro, aliança e planeta.

Marca FSM2009 - Marcas p site

Baseado no tema da próxima edição, os chamados povos originários, partimos para uma pesquisa detalhada e cuidadosa. A intenção era entrar em contato com referências visuais das diferentes etnias. “A tatuagem é a roupa do índio”: o comentário feito por um representante indígena durante a reunião de briefing foi a nossa principal referência no processo de criação.

A pesquisa nos trouxe um universo visual iconográfico riquíssimo, encontrado em pinturas corporais, grafismos em cerâmica, tecidos e trançados, expressos pela cultura material de povos pertencentes à América Latina, Central e do Norte, Oceania, África, Ásia e Europa. Feito isso, foram reveladas similaridades no uso de tais grafismos: povos que nunca tiveram contato entre sí utilizam grafismos semelhantes inclusive em significado. Nossa conclusão chegou a uma filtragem de 12 signos, chamados de grafismos ancestrais.

Os 12 grafismos selecionados são capazes de conversar com pessoas do mundo inteiro, independente de sua origem. Unido a um elemento fixo, a marca é mutável, randômica e democrática, permitindo a escolha do grafismo que o indivíduo mais se identifique sem perder a unidade. Arquivos da marca estarão disponiveis no site do Forum para quem desejar usa-la para criar produtos para o evento. O projeto foi licenciado via Creative Commons. O projeto de sinalização Ambiental será executado pela Oficina de Criação, capitaneada pelas nossas queridas Ana Petruchelli e Lívia Barbosa.

Inspiradas ainda na cultura dos povos originários, toda a estratégia de comunicação busca aliar a sabedoria dos povos originários à tecnologia atual. A proposta é evitar o gasto excessivo de papel e impressões, enviar pdfs a todos os participantes e usar outras formas sustentaveis de comunicação. Propomos a divulgação oral dos eventos através de arautos (pessoas identificadas e preoparadas para passar o conhecimento), centros de informações e mídias de caráter coletivo (em alusão às tribos); a identificação dos participantes será através de tatuagens e pulseiras de sementes de mará-mará, feitas pelas comunidades.

Outra proposta para reforçar a sustentabilidade do evento, além o evitar o excesso de resíduos, foram oficinas de reciclagem de todos os materiais gerados pelo Fórum e favorecendo a geração de renda às comunidades participantes do evento e moradoras do entorno de Belém.

Creative Commons License
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1 comentário 22 10 2008 às 19:17 admin


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